CHEGA DE BOM DIA VAZIO
Hoje
é domingo. Um dia que tem que “obrigatoriamente” ter gosto de preguiça. Um dia
pra que a gente se permita desacelerar. Um dia pra se perceber os detalhes. Pra
se ler Martha Medeiros à mesa do café e sentir necessidade de dar um bom dia
com mais conteúdo pra quem a gente ama.
Hoje
é domingo, dia de se alimentar com calma. E minha fome é tanta, que deixei o
café pra mais tarde. Consciente de minha condição privilegiada, sei que não vai
me faltar, literalmente, o pão. Por isso, em um mundo que, infelizmente, voltou
a ser obscurantista, tenho priorizado saciar primeiro a alma. Primeiro a alma,
sim! Porque o intelecto bem nutrido, nada mais é do que consequência de uma
alma saudável.
Então, depois de ler Clarice dizendo “Ah, como devoro com fome e prazer a revolta” e que “temos mantido em segredo a nossa morte”, leio nossa atual maior cronista homenagear Domingos Oliveira. Mais um domingo sem Domingos, mas com todo o conteúdo que ele deixou, e não deixou só “para todas as mulheres do mundo”. Num pior momento Bauman de incontáveis “separações”, é preciso mais “amores”. Em uma época em que aos homens só era permitido sentir orgulho e raiva, Domingos dizia que mais importante que falar de política, era falar de amor; e mais que isso, ele amava. Ele amava principalmente as mulheres. E ele dizia que todo mundo contém Deus, independente de se acreditar ou não na existência Dele.
Então, depois de ler Clarice dizendo “Ah, como devoro com fome e prazer a revolta” e que “temos mantido em segredo a nossa morte”, leio nossa atual maior cronista homenagear Domingos Oliveira. Mais um domingo sem Domingos, mas com todo o conteúdo que ele deixou, e não deixou só “para todas as mulheres do mundo”. Num pior momento Bauman de incontáveis “separações”, é preciso mais “amores”. Em uma época em que aos homens só era permitido sentir orgulho e raiva, Domingos dizia que mais importante que falar de política, era falar de amor; e mais que isso, ele amava. Ele amava principalmente as mulheres. E ele dizia que todo mundo contém Deus, independente de se acreditar ou não na existência Dele.
Assim,
me permiti, ficar revoltada com esse monte de bom dia, fofo, mas vazio que a
gente recebe sempre. Não me importo em receber. Fico feliz porque, afinal, a
pessoa se lembrou de mim e está implícito um carinho nesse lembrar. É uma forma
de não perder contato também. E eu aprecio isso. Mas hoje é domingo. Um dia que
tem que “obrigatoriamente” ter gosto de preguiça. Não pensei duas vezes e
enviei “Perder a vida”, da Martha, para que meus amores pudessem ter um bom dia
menos preguiçoso e mais caprichado. E entendi quando, durante minha infância,
ouvia Chapolin dizendo que preferia morrer do que perder a vida.




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