SOBRE FAZER CINEMA
Uma de minhas opções de vestibular (na minha
época, infelizmente, não tinha ENEM) era cinema,
apesar de nunca ter chegado a marcar essa opção em formulário algum de nenhuma
ficha de inscrição. A vida segue e busquei outras formas de me realizar
profissionalmente. Ser professora não era a segunda opção, mas sim uma das
opções possíveis e posso dizer com todas as letras que sou bem sucedida no que
faço.
Minha profissão já me permitiu viver várias dentro dos desdobramentos nela existentes: já organizei desfiles de moda, já fui publicitária, jornalista, escritora, cantora, atriz e recentemente, ao receber um convite para participar da 6ª Olimpíada Estadual de Filosofia, mesmo não lecionando nessa área, me vi exercendo a função de diretora de cinema para a produção de um curta-metragem que deveria ser apresentado no primeiro dia do evento. Gravar cada cena com os alunos no pátio da escola me trouxe, além da emoção, a sensação de que é possível a qualquer um, fazer cinema em qualquer lugar, e utilizando a melhor tecnologia audiovisual que nosso não-orçamento pode comprar: o celular.
Minha profissão já me permitiu viver várias dentro dos desdobramentos nela existentes: já organizei desfiles de moda, já fui publicitária, jornalista, escritora, cantora, atriz e recentemente, ao receber um convite para participar da 6ª Olimpíada Estadual de Filosofia, mesmo não lecionando nessa área, me vi exercendo a função de diretora de cinema para a produção de um curta-metragem que deveria ser apresentado no primeiro dia do evento. Gravar cada cena com os alunos no pátio da escola me trouxe, além da emoção, a sensação de que é possível a qualquer um, fazer cinema em qualquer lugar, e utilizando a melhor tecnologia audiovisual que nosso não-orçamento pode comprar: o celular.
Sobre cinema tenho
atualmente duas frustrações: a primeira é não ter conseguido concluir o curta
com minha equipe para apresentá-lo no festival do Curta Filosofia e a segunda
é, na verdade, uma indignação por apenas um cinema de
minha cidade ter exibido por um período curto de uma semana (o que é
praticamente mesmo exibindo não ter exibido) o nacional Como nossos pais,
premiadíssimo, inclusive, internacionalmente. Doído constatar que filme
nacional não dá lucro de bilheteria em cidades não-capitais.
Por outro
lado, estar no auditório da UFF prestigiando cinema amador
independente mega bem produzido por alunos de escola pública estadual do Rio de
Janeiro foi muito mais que um momento cultural, na atual situação política do
país, aquele se tornou indubitavelmente um ato de resistência ao som de #elenão, #elenunca,
sendo ecoado pela sala escura.
Enquanto isso a Academia Brasileira de Cinema dava
a Laís Bodanzky o prêmio de melhor direção e a Maria Ribeiro o de melhor atriz
pela Rosa de Como nossos pais. Num país onde a falsa meritocracia não me deixou
trilhar pelos caminhos da Sétima Arte, só me restou comemorar cada vitória
dessas duas mulheres divas como se fossem minhas.




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