SOBRE CONTOS, CRÔNICAS E POESIAS
Tenho
por hábito ler as postagens de autores contemporâneos que me saltam aos olhos
durante minhas rolagens de tela pelo Facebook. Uma delas, não me recordo agora
de qual autor, me chamou a atenção, em especial, pelo seu questionamento que
era ao mesmo tempo uma reclamação e uma forma de auto divulgação do que me
pareceu ser seu mais recente lançamento: um livro de contos. Minha memória
emotiva da leitura me garante que era uma antologia, mas de fato, não importa
muito se era um livro solo. Vamos, então, ao que foi colocado em pauta por ele.
Quantas vezes você foi em uma livraria com o intuito de comprar um livro de
contos? É sabido que, no cinema, o favorito das premiações é sempre o drama,
portanto é triste constatar que comédias raramente levam o troféu para casa,
mesmo sendo sensacionais. Na literatura o queridinho dos leitores são os longos
romances, nem sempre românticos, e o preconceito com os contos é evidente para
quem faz parte do meio literário. “Agora
ela só escreve isso” – um só que inferiorizava crônicas escritas por
ninguém menos que Martha Medeiros ganhava voz na crítica nada crítica de um
funcionário da livraria onde a autora fazia radiante e bem resolvida com o
gênero o lançamento de A Graça da coisa. Seria mesmo cômico se não fosse
trágico.
Voltando
ao autor do meu Face, a tal pergunta, obviamente, puxava a sardinha para o seu
lado, já que poderia ser mais abrangente, e incluir também crônicas e poesias.
Mas não dá para descartar que talvez ele estivesse buscando dados estatísticos
mais específicos.
Enfim,
me propus a fazer uma análise de minhas últimas aquisições literárias e fiquei
feliz por ter condições de dar a esse autor uma resposta positiva. Comprei não
só livros de contos, mas também de crônicas, poesias e um gênero que vejo em
alguns autores uma tentativa em resgatá-lo: cartas. De Machado de Assis e
Clarice Lispector a Scott Fitzgerald nos contos, de Rubem Braga a Maria Ribeiro
nas crônicas, tive desejo e tempo de também prestigiar alguns amigos, que assim
como eu tentam algum destaque nessa arte, com suas lindas cartas e poesias. Adriano
Silva, Gabriel Tironi e Marcelo Aceti se mantêm em evidência na minha
prateleira porque gosto de cultivar o hábito de valorizar os talentos em ascensão.
Ficarei feliz se um dia algum deles assinarem, assim como vi acontecer com
Lycia Barros e Maurício Gomyde, contratos com grandes editoras.
Nesse
momento de reflexão, penso que seja de extrema importância frisar que neste
formato, entre todos os lidos por mim no curto período de outubro de 2017 a
julho de 2018, apenas Scott não é brasileiro. Porém sei que devo mesmo ser a
exceção e não a regra, o que me faz ecoar a pergunta: Quantas vezes você foi em
uma livraria com o intuito de comprar um livro de contos, crônicas, cartas e
poesias?



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