MINHA ATRASADA PAIXÃO POR WOODY ALLEN
Um amigo
escritor, que admiro muito, perguntou-me se eu já tinha visto Meia-noite em
Paris e ficou inconformado com a negativa. Curiosa com o tema e disposta a
melhorar minha performance como escritora, fui hipnotizada por aqueles
personagens, Hemingway em especial, e cooptada para uma aula fascinante de como
criar diálogos perfeitos. É, deveria me envergonhar em assumir isso, mas não
vou. Foi assim que teve início minha paixão por Woody Allen, em setembro de
2017. A única coisa que ficava martelando, o dia todo, em minha cabeça era:
como pude demorar tanto para ter esse encontro com um dos maiores gênios de
Hollywood? Entendo que, em 2014, o famoso cineasta foi alvo de denúncias
horrorosas de abuso sexual envolvendo sua filha adotiva e o repudio por isso, mas
preciso deixar claro que meu caso de amor não é com o homem que, na verdade, se
chama Allan, mas sim com a obra deixada por ele, extensa e surpreendente.
Com isso em
mente, curtindo uma ansiedade perturbadora de fim de férias, faltando 48 horas
para voltar, oficialmente, ao meu universo particular e público de professora,
me permiti mergulhar em mais dois de seus filmes: Match Point (Ponto Final) e
Vicky Cristina Barcelona. Experiência avassaladora. Preciso comentar que ainda
estou extasiada?
Penso ser
fundamental saber separar autor e obra, principalmente nesse momento onde o
Novo Normal surge com intensidade e revela uma nova postura, que por mais
difícil que seja precisamos nos atentar a ela e com isso, se faz necessário se
desgarrar dos velhos modelos que são, sim, preconceituosos. Apoio,
incondicionalmente, hashtags como #mexeucomumamexeucomtodas e #ouçamasmulheres,
porém não é justo desvalorizar toda uma obra, bem contextualizada, de Monteiro
Lobato, por exemplo, por descobri-lo um homem racista e possivelmente,
machista. Autor e obra não são gêmeos siameses e devem ser separados um do
outro.
A obra de Woody Allen me encanta e seduz porque transcende a tela que, não importa se é das salas de cinema, de computadores, TVs ou celulares, a mídia não importa, enfim. O que importa é que, ao final de qualquer um de seus filmes, nossos horizontes se expandem e a gente se levanta da cadeira ou da cama ou por que não do chão, não sendo mais a mesma de quando o filme teve início, mas outra pessoa, mais madura e de alma lavada.



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