FUGACIDADE


           
            Parece que foi semana passada que o teste da farmácia deu positivo. Parece que foi ontem que me emocionei, ao ouvir e ver, pela primeira vez, o choro e o rostinho do meu menino. A gente percebe que o tempo está passando depressa quando mal saímos de uma festa de aniversário e já estamos finalizando os preparativos da próxima. Miguel faz 3.
            Não me lembro de quando fiz 3, mas sei que na de cinco, fui puxada gentilmente pela mão de minha mãe e conduzida ao meu quarto. Levei esporro por perguntar aos convidados que chegavam onde estava o meu presente. Levei essa lição pra vida. Eu estava vestida de Mônica.
            Na minha última grande festa de aniversário, teve painéis colados na parede da garagem. Sim, eles eram comemorados em casa e não fazia mal se um amigo roubasse um brigadeiro da mesa que não tinha personalizados caríssimos enfeitando-a. Fiquei feliz porque o tio do micro-ônibus veio. Não pedi presente, mas ganhei muitos. O melhor deles foi eu estar vestida de Xuxa com direito a bota de cano alto e ter tias e primas vestidas de paquitas que dançaram uma música comigo. Eu tinha sete.
            Abro meu computador para pesquisar imagens de skate que me auxiliem na preparação da festa de meu filho. Ele não quis ser nenhum dos super-heróis fáceis de encontrar em qualquer pacote de ornamentação. Pacote porque atualmente qualquer festa de criança se torna um evento. Até uma tia se confundiu ao receber seu convite, elogiando a participação dele em uma competição e ansiando saber em qual área ele participaria. Modalidade: skatista amador. “Amador” de skates e bicicletas.
            Depois de gastar um horror com festa de um casamento que só durou dois anos, faço questão de bancar festa pra esse relacionamento que é pra vida inteira. Foi meu pequeno príncipe em um ano e meu guia por um safári no segundo.
            Apesar de desembolsar uma grana nestas festas, a única ostentação que desejo é a de vê-lo feliz cantando parabéns e soprando a vela. Dançando e pulando com seus amigos. E quando as quatro horas se encerram, sei que a magia daquele momento dura uma eternidade. Sei que por mais que tudo corra bem, sempre vai ter quem fale mal. Nem ligo. A única preocupação que tenho é a de preencher de momentos felizes e especiais a memória afetiva do grande amor da minha vida, já que na minha próxima piscada de olho, ao abri-los, posso dar de cara com uma #Miguelfaz20.



Comentários

  1. Adorei. Compartilho de muitos sentimentos e posicionamentos. Tive e tenho prazer de comemorar a vida e cada aniversário de quatro filhos incríveis. O tempo está passando, não tenho saudades nem arrependimentos, mas, muita alegria por cada instante de tristeza e alegria que vivenciamos e ainda vivenciaremos juntos.

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